Tour a pé pelo modernismo
Alexandre Mancini mostra o modernismo de BH
O artista plástico Alexandre Mancini traçou um roteiro pela região central de Belo Horizonte, que pode ser feito a pe, para mostrar os principais prédios modernos da capital mineira
por débora fantini
O artista plástico belo-horizontino Alexandre Mancini criou uma discotecagem para a arquitetura moderna brasileira. Pedimos a ele para nos contar que arquitetura é essa que tanto o inspirou. O resultado é esse roteiro de 12 prédios modernos (com nome do arquiteto e data seguidos do endereço) entre as praças Sete e da Liberdade, região central de BH, onde o modernismo se traduz em arranha-céus, com surpresas do topo à calçada. Entre no jogo de identificar outros prédios modernos pelo caminho.
1. Ed. Niemeyer. Praça da Liberdade, 153. Oscar Niemeyer, 1954. Repare: nos ladrilhos hidráulicos disfarçados entre um brise-soleil e outro. O painel em preto-e-branco é do artista carioca Athos Bulcão.
2. Ed. Mape. R. Gonçalves Dias, 1354. Sylvio de Vasconcellos, 1958.
Repare: na fachada azul e rosa e nos pilares cobertos de vidrotil do térreo.
3. Ipsemg. R. Gonçalves Dias, 1434. Raphael Hardy Filho, 1964.
Repare: na divisão da estrutura em três módulos e no vaivém das pessoas através da fachada envidraçada.
4. BDMG. R. da Bahia, 1600. Humberto Serpa, Marcos Meyer, Márcio Pinto e William Ramos Abdalla, 1969.
Repare: na estrutura externa autônoma, fazendo com que a caixa de vidro pareça flutuar, e na pérgula de concreto - os recortes circulares emolduram o céu e projetam sombras no chão.
5. Detran. Av. João Pinheiro, 417. José Ferreira Pinto, 1956.
Repare: na rampa da entrada que leva o espaço da rua para o interior do prédio, como uma continuação da calçada.
6. Residencial Solar. Av. João Pinheiro, 85. Ulpiano Nunes Muniz, 1955.
Repare: em como os dois blocos perpendiculares parecem ser edifícios diferentes, na fachada cega revestida de cerâmica vitrificada e nas paredes de cobogós (elementos vazados de concreto).
7. Tribunal de Justiça de Minas Gerais. R. Goiás, 229. Raphael Hardy Filho, 1949.
Repare: na entrada com pé-direito monumental e no painel do saguão, de Di Cavalcanti.
8. Posto de Informação - Mercado das Flores. Av. Afonso Pena, 1055. Tarcísio Silva, 1950 ou 1960.
Repare: na cobertura curva concebida como abrigo de bondes e na pequena marquise ondulada que a acompanha.
9. Conjunto Sulacap-Sulamérica. Av. Afonso Pena, 981. Roberto Capello, 1941.
Repare: na passagem interna que liga a avenida Afonso Pena e o viaduto Santa Tereza e na fachada pouco decorada, característica do modernismo.
10. Ed. Christiano Guimarães. R. Espírito Santo, 605. Luciano Alfredo Santiago e Raul de Lagos Cirne, 1952.
Repare: nas diferentes alturas dos dois blocos, com 12 e 24 andares, e na fachada de trás, com arcos e revestimento de pastilhas.
11. Ed. Hércules. R. Espírito Santo, 466. Sandoval Azevedo, 1964.
Repare: nos azulejos do saguão, idênticos às peças de Paulo Werneck que revestem o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube - esse já é outro roteiro*.
12. Bemge. R. Rio de Janeiro, 471. Oscar Niemeyer, 1955.
Repare: no jogo de espelhos que estabelece com o Edifício Helena Passig, na outra esquina do mesmo quarteirão.
* Para ir do centro à Pampulha de ônibus, pegue a linha 2004, sentido Bandeirantes. Há um ponto nas imediações da praça Sete. Tarifa: 2,30 reais.
Conheça uma trilha sonora (que Alexandre Mancini pinçou de sua discotecagem para a arquitetura moderna) para acompanhar os passeios no site da revista Vida Simples É puro samba-jazz!

* Roteiro 1 – Orla, via 2004
O complexo arquitetônico com cinco construções de autoria de Oscar Niemeyer foi projetado entre 1942 e 1944.
Casa do Baile: av. Otacílio Negrão de Lima, 751
Repare: nos azulejos, que se repetem no Iate Tênis Clube e no Museu de Arte da Pampulha. Trata-se de uma réplica do padrão existente na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa, no Rio de Janeiro.
Igreja de São Francisco avenida Otacílio Negrão de Lima, s n°
Repare: nos paineis de azulejo de Cândido Portinari na fachada posterior e de pastilhas de Paulo Werneck.
Iate Tênis Clube
Endereço: avenida Otacílio Negrão de Lima, 1.350
Praça da Pampulha
Endereço: avenida Otacílio Negrão de Lima, 1.500
Arquitetos: Carlos Alberto Maciel, Bruno Santa Cecília, Alexandre Brasil e André Luiz Prado
Repare: painel de azulejos de Alexandre Mancini
Casa Kubitschek
Endereço: Av. Otacílio Negrão de Lima, 4.188
Repare: no painel de azulejos de Volpi e nas pastilhas de Paulo Werneck.
Museu de Arte da Pampulha
Endereço: avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.580
Roteiro 2 – Circuito universitário e esportivo, via 5102
Sede da Usiminas
Endereço: rua Professor José Vieira de Mendonça, 3.011, Engenho Nogueira
Arquitetos: Raphael Hardy Filho, Álvaro Hardy e István Farkasvölgyi
Data do projeto: 1972
Repare: na escultura em aço da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake, 96, instalada na praça em frente.
UFMG - Unidade Administrativa II
Endereço: avenida Antônio Carlos, 6.627 - Campus UFMG (acesso pela avenida Abrahão Caram)
Arquiteto: Eduardo Mendes Guimarães Júnior
Repare: no painel em relevo de Yara Tupinambá
UFMG - Reitoria
Endereço: Av. Antônio Carlos, 6.627 - Campus UFMG
Arquitetos: Eduardo Mendes Guimarães Júnior, Gaspar Ferdinando Garreto e Ítalo Pezzuti
Repare: nas pastilhas de Gianfranco Cerri
Veja o “playlist” com a seleção dos Temas Musicais para A Arquitetura Moderna Brasileira. Junto à lista com o nome das músicas, segue também um link para você poder baixá-las (http://rapidshare.com/files/278591939/Temas_Musicais.zip.html ).
Grande parte destas músicas estão em discos fora de catálogo, mas você poderá encontrá-las num blog dedicado à música brasileira que as oferece para dowload: http://loronix.blogspot.com/ .
Arquitetos: Carlos Alberto Maciel, Bruno Santa Cecília, Alexandre Brasil e André Luiz Prado
Repare: painel de azulejos de Alexandre Mancini
Repare: no painel de azulejos de Volpi e nas pastilhas de Paulo Werneck.
Endereço: rua Professor José Vieira de Mendonça, 3.011, Engenho Nogueira
Arquitetos: Raphael Hardy Filho, Álvaro Hardy e István Farkasvölgyi
Data do projeto: 1972
Repare: na escultura em aço da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake, 96, instalada na praça em frente.
Endereço: avenida Antônio Carlos, 6.627 - Campus UFMG (acesso pela avenida Abrahão Caram)
Arquiteto: Eduardo Mendes Guimarães Júnior
Repare: no painel em relevo de Yara Tupinambá
UFMG - Reitoria
Endereço: Av. Antônio Carlos, 6.627 - Campus UFMG
Arquitetos: Eduardo Mendes Guimarães Júnior, Gaspar Ferdinando Garreto e Ítalo Pezzuti
Repare: nas pastilhas de Gianfranco Cerri