



Mãos do mestre mostram molde a Mancini
Das montanhas para o Planalto Central, do Planalto Central para as montanhas, a criação de azulejos é revalorizada com objetivos estéticos e intenções sociais

“Ele é tido como o herdeiro”
Em 2004, o artista plástico belo-horizontino Alexandre Mancini, então com 30 anos, começa a desenhar alguns padrões de azulejos motivado pelo misto de diversão e inquietude. Ele acaba cooptando ao universo do qual Athos Bulcão é a estrela guia.
Nasce um discípulo, realizando a travessia Brasília-Minas, ainda que a adesão não seja tarefa das mais fáceis. Ao rol dos empecilhos, Mancini acrescenta o fato de o mercado disponibilizar poucas publicações sobre azulejaria. “Somente em 2006 me senti seguro para fazer as primeiras peças, apesar de ter uma infinidade de desenhos prontos. E, a partir deste ponto, quando senti a realização batendo à porta, decidi trabalhar unicamente com os azulejos”, relembra Mancini, hoje considerado “herdeiro de Athos Bulcão” em Minas.
Melhor é que o destino trate de dar uma mãozinha e propicie o encontro entre discípulo e mestre. “Em 2008 fui a Brasília, mesmo sabendo que ele estava muito doente e que corria o risco de não conhecê-lo”. A Fundação Athos Bulcão se encarrega da ponte com o enfermeiro que acompanhava Bulcão: por sorte, naquele dia o mestre estava bem e poderia, sim, receber Alexandre.


revista casa claudia luxo | março 2011
matéria exibida no programa agenda da rede minas sobre o patrimônio azulejar em belo horizonte . exibida em 16.02.2011
Reportagem: Daniela Vargas
Produção: Ana Fazito
Edição de Imagens: Letícia Uesugi
Tour a pé pelo modernismo
Alexandre Mancini mostra o modernismo de BH
O artista plástico Alexandre Mancini traçou um roteiro pela região central de Belo Horizonte, que pode ser feito a pe, para mostrar os principais prédios modernos da capital mineira
por débora fantini
O artista plástico belo-horizontino Alexandre Mancini criou uma discotecagem para a arquitetura moderna brasileira. Pedimos a ele para nos contar que arquitetura é essa que tanto o inspirou. O resultado é esse roteiro de 12 prédios modernos (com nome do arquiteto e data seguidos do endereço) entre as praças Sete e da Liberdade, região central de BH, onde o modernismo se traduz em arranha-céus, com surpresas do topo à calçada. Entre no jogo de identificar outros prédios modernos pelo caminho.
Casa Cláudia Minas
Modernismo Reeditado
coluna Quem Faz
reportagem visual por Paulo Lagreca | texto por Flávia pinho
Os painéis assinados pelo artista plástico Alexandre Mancini são grandiosos - em todos os sentidos. Suas composições geométricas podem revestir diversas paredes de um mesmo ambiente, ou ainda muros, fachadas e outras instalações ao ar livre. Uma das mais conhecidas é o conjunto de seis painéis, com 6m² cada, expostos na pça. da Pampulha, na capital mineira, bem pertinho da Igreja de São Francisco, um dos monumentos modernistas que ele mais admira. Não por acaso, o clima retrô dá o tom em seus trabalhos figurativos, como os que ele criou para a exposição Jazz Modular - as peças estão à venda na loja Granpo. “São como grandes capas de LPs dos artistas do jazz com os quais tenho afinidade.”
Porque a paixão pelos azulejos?
Cresci em Belo Horizonte apaixonado pela arquitetura modernista. Minhas referências nunca foram os azulejos portugueses, mas brasileiros. Athos Bulcão foi minha grande inspiração.
Como são montados os painéis?
Costumo dar liberdade ao azulejista encarregado de assentá-los. No máximo, forneço algumas diretrizes e permito que ele faça a composição. Defendo a arte pública e participativa.

Ronaldo Fraga fez uma maravilhosa e justa homenagem a Athos Bulcão. Em sua coleção lançada no São Paulo Fashion Week o estilista realizou um trabalho comovente onde a liberdade e a compreensão deram o tom.
Como agradecimento ao convite para o evento e ainda por elevar o nome do mestre Athos dei uma singela retribuição: o painel “Balaio”. Abaixo a foto da matéria produzida pelo Jornal O Tempo, de Belo Horizonte, com o painel ao fundo.

Coluna de Marisa Ota | Design por todo canto
A Volta da Azulejaria
A tradição da azulejaria na arquitetura brasileira teve seu ápice na construção de Brasília, com os painéis criados pelo talento de Athos Bulcão nas obras de Oscar Niemeyer. Paradoxalmente, os anos que se seguiram vivenciaram um grande ostracismo dessa arte no Brasil. Por décadas, a azulejaria desapareceu dos painéis e mesmo estes passaram ao largo da arquitetura brasileira.
O que aconteceu com a arte muralista e a arte azulejista, em particular, para literalmente sumir como um componente importante da arquitetura brasileira? Como um País que possui o prédio do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, e a Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, - dois grandes exemplos da arquitetura brasileira e mundial, onde podemos apreciar os painéis pintados em azulejos por Portinari, - pode abandonar essa tradição herdada dos portugueses?
Revestimento, arquitetura, design ou arte?
por Pedro Morais
Presente na arquitetura brasileira desde as suas mais remotas realizações, a azulejaria tem seu primeiro registro no Brasil no Convento de Santo Amaro de Água-Fria, em Olinda, Pernambuco. Durante a segunda metade do século XVII, ao intensificar-se a construção de templos, sobrados, engenhos e palácios, a presença de azulejos nas construções passa a ser mais regra do que exceção. De uso primordialmente decorativo e sempre trazidos de Portugal, os azulejos continuam chegando ao Brasil ao longo dos séculos XVIII e XIX, sendo usados na decoração de igrejas e posteriormente na proteção das fachadas de edifícios urbanos. Observa-se aí uma inversão de influências, pois tal utilização não havia ainda sido observada na metrópole. Após a abertura dos portos, começam a chegar também azulejos vindos da Holanda, França e outros países da Europa. A fabricação local é observada a partir de meados do século XIX, mas somente no início do século XX a produção brasileira começa a adquirir alguma regularidade.