


por Letícia de Almeida
Pelas paredes de São Paulo
Com padrões geométricos ou figurativos, os azulejos chegaram ao país pelas mãos de nossos colonizadores, mestres nessa arte. Pelas ruas de São Paulo, podemos conhecer um pouco da história da cidade, contada através dos painéis que vestem paredes de casas e fachadas.
Criados pelo artista e historiador brasileiro José Wasth Rodrigures (1891-1957), os azulejos do Largo da Memória, no Centro, foram idealizados em comemoração ao centenário da Independência, a pedido do então prefeito da cidade, Washington Luís. O projeto arquitetônico, assinado pelo arquiteto francês Victor Dubugras (1868-1933), data de 1919. “Nessa obra, destacam-se os azulejos com o brasão da cidade, desenhados por Guilherme de Almeida e Wasth Rodrigues”, diz Débora Gigli, professora do Centro universitário Belas Artes, de São Paulo.
Construída nos anos 40, a Igreja Nossa Senhora do Brasil, no Jardim Europa, possui lindíssimos painéis de azulejos criados pelo artista modernista Antônio Paim Vieira (1895-1988), cujo trabalho nacionalista era recheado de motivos folclóricos, da fauna e da flora brasileiras. “Podemos observar a riqueza de detalhes nos azulejos, diz Débora Gigli. “Tanto na igreja quanto no Largo da Memória, essa arte tinha feições portuguesas, pois se tratava de artistas que buscavam uma ientidade nacional a partir do reconhecimento das nossa matrizes portuguesas”, diz Alexandre Mancini, artista plástico dedicado à azulejaria brasileira.