



um painel mais feminino, que dialogasse com diversos públicos e estética próxima a Pop Art.
Com estes elementos foi criado o painel de azulejos para o Velvet Club, em Belo Horizonte.
O painel dois tempos em preto tem a tinta subtraída revelando, então, as imagens de três ícones do Rock feminino: Nico, Debbie Harry e Patti Smith.
dimensão: 19,0 x 2,10m
data: maio de 2011

foto por Caroline Barrionuevo

foto por Caroline Barrionuevo

foto por Caroline Barrionuevo

foto por Caroline Barrionuevo

foto por Caroline Barrionuevo
Mãos do mestre mostram molde a Mancini
Das montanhas para o Planalto Central, do Planalto Central para as montanhas, a criação de azulejos é revalorizada com objetivos estéticos e intenções sociais

“Ele é tido como o herdeiro”
Em 2004, o artista plástico belo-horizontino Alexandre Mancini, então com 30 anos, começa a desenhar alguns padrões de azulejos motivado pelo misto de diversão e inquietude. Ele acaba cooptando ao universo do qual Athos Bulcão é a estrela guia.
Nasce um discípulo, realizando a travessia Brasília-Minas, ainda que a adesão não seja tarefa das mais fáceis. Ao rol dos empecilhos, Mancini acrescenta o fato de o mercado disponibilizar poucas publicações sobre azulejaria. “Somente em 2006 me senti seguro para fazer as primeiras peças, apesar de ter uma infinidade de desenhos prontos. E, a partir deste ponto, quando senti a realização batendo à porta, decidi trabalhar unicamente com os azulejos”, relembra Mancini, hoje considerado “herdeiro de Athos Bulcão” em Minas.
Melhor é que o destino trate de dar uma mãozinha e propicie o encontro entre discípulo e mestre. “Em 2008 fui a Brasília, mesmo sabendo que ele estava muito doente e que corria o risco de não conhecê-lo”. A Fundação Athos Bulcão se encarrega da ponte com o enfermeiro que acompanhava Bulcão: por sorte, naquele dia o mestre estava bem e poderia, sim, receber Alexandre.


revista casa claudia luxo | março 2011
matéria exibida no programa agenda da rede minas sobre o patrimônio azulejar em belo horizonte . exibida em 16.02.2011
Reportagem: Daniela Vargas
Produção: Ana Fazito
Edição de Imagens: Letícia Uesugi



revista arquitetura e construção | fevereiro de 2011



por Letícia de Almeida
Pelas paredes de São Paulo
Com padrões geométricos ou figurativos, os azulejos chegaram ao país pelas mãos de nossos colonizadores, mestres nessa arte. Pelas ruas de São Paulo, podemos conhecer um pouco da história da cidade, contada através dos painéis que vestem paredes de casas e fachadas.
Criados pelo artista e historiador brasileiro José Wasth Rodrigures (1891-1957), os azulejos do Largo da Memória, no Centro, foram idealizados em comemoração ao centenário da Independência, a pedido do então prefeito da cidade, Washington Luís. O projeto arquitetônico, assinado pelo arquiteto francês Victor Dubugras (1868-1933), data de 1919. “Nessa obra, destacam-se os azulejos com o brasão da cidade, desenhados por Guilherme de Almeida e Wasth Rodrigues”, diz Débora Gigli, professora do Centro universitário Belas Artes, de São Paulo.
Construída nos anos 40, a Igreja Nossa Senhora do Brasil, no Jardim Europa, possui lindíssimos painéis de azulejos criados pelo artista modernista Antônio Paim Vieira (1895-1988), cujo trabalho nacionalista era recheado de motivos folclóricos, da fauna e da flora brasileiras. “Podemos observar a riqueza de detalhes nos azulejos, diz Débora Gigli. “Tanto na igreja quanto no Largo da Memória, essa arte tinha feições portuguesas, pois se tratava de artistas que buscavam uma ientidade nacional a partir do reconhecimento das nossa matrizes portuguesas”, diz Alexandre Mancini, artista plástico dedicado à azulejaria brasileira.
Casa Cláudia Minas
Modernismo Reeditado
coluna Quem Faz
reportagem visual por Paulo Lagreca | texto por Flávia pinho
Os painéis assinados pelo artista plástico Alexandre Mancini são grandiosos - em todos os sentidos. Suas composições geométricas podem revestir diversas paredes de um mesmo ambiente, ou ainda muros, fachadas e outras instalações ao ar livre. Uma das mais conhecidas é o conjunto de seis painéis, com 6m² cada, expostos na pça. da Pampulha, na capital mineira, bem pertinho da Igreja de São Francisco, um dos monumentos modernistas que ele mais admira. Não por acaso, o clima retrô dá o tom em seus trabalhos figurativos, como os que ele criou para a exposição Jazz Modular - as peças estão à venda na loja Granpo. “São como grandes capas de LPs dos artistas do jazz com os quais tenho afinidade.”
Porque a paixão pelos azulejos?
Cresci em Belo Horizonte apaixonado pela arquitetura modernista. Minhas referências nunca foram os azulejos portugueses, mas brasileiros. Athos Bulcão foi minha grande inspiração.
Como são montados os painéis?
Costumo dar liberdade ao azulejista encarregado de assentá-los. No máximo, forneço algumas diretrizes e permito que ele faça a composição. Defendo a arte pública e participativa.

Coluna de Marisa Ota | Design por todo canto
A Volta da Azulejaria
A tradição da azulejaria na arquitetura brasileira teve seu ápice na construção de Brasília, com os painéis criados pelo talento de Athos Bulcão nas obras de Oscar Niemeyer. Paradoxalmente, os anos que se seguiram vivenciaram um grande ostracismo dessa arte no Brasil. Por décadas, a azulejaria desapareceu dos painéis e mesmo estes passaram ao largo da arquitetura brasileira.
O que aconteceu com a arte muralista e a arte azulejista, em particular, para literalmente sumir como um componente importante da arquitetura brasileira? Como um País que possui o prédio do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, e a Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, - dois grandes exemplos da arquitetura brasileira e mundial, onde podemos apreciar os painéis pintados em azulejos por Portinari, - pode abandonar essa tradição herdada dos portugueses?
Revestimento, arquitetura, design ou arte?
por Pedro Morais
Presente na arquitetura brasileira desde as suas mais remotas realizações, a azulejaria tem seu primeiro registro no Brasil no Convento de Santo Amaro de Água-Fria, em Olinda, Pernambuco. Durante a segunda metade do século XVII, ao intensificar-se a construção de templos, sobrados, engenhos e palácios, a presença de azulejos nas construções passa a ser mais regra do que exceção. De uso primordialmente decorativo e sempre trazidos de Portugal, os azulejos continuam chegando ao Brasil ao longo dos séculos XVIII e XIX, sendo usados na decoração de igrejas e posteriormente na proteção das fachadas de edifícios urbanos. Observa-se aí uma inversão de influências, pois tal utilização não havia ainda sido observada na metrópole. Após a abertura dos portos, começam a chegar também azulejos vindos da Holanda, França e outros países da Europa. A fabricação local é observada a partir de meados do século XIX, mas somente no início do século XX a produção brasileira começa a adquirir alguma regularidade.
“O eixo histórico da azulejaria moderna brasileira, misturando arte, arquitetura e política, é Rio, Belo Horizonte e Brasília. Começou no Rio, foi experimentada em Belo Horizonte e se afirma no Distrito Federal”, explica o artista Alexandre Mancini. “Foi aqui que Portinari encontrou possibilidade de realizar obra de grande porte, que revela ligações com a prática do muralismo, então em voga, e a arte moderna”, observa. Mais: a parceria entre o artista Athos Bulcão e o arquiteto Oscar Niemeyer teria sido iniciada com convite para que o artista criasse painel para o Teatro Nacional de Belo Horizonte. “Obra que não saiu do papel, mas vai resultar em muitos projetos da dupla em Brasília”, observa Alexandre.
Um aspecto importante da obra de Oscar Niemeyer é a integração entre arte e arquitetura. “Ele sempre convida artistas a participarem da obra dele, como foi com Athos Bulcão (1918-2008), seu parceiro quando o assunto é azulejo”, conta. A dupla tem algumas obras em Belo Horizonte. A mais singular delas, para Alexandre, é motivo decorativo do Edifício Niemeyer, feito com ladrilhos hidráulicos. “É intervenção discreta, mas que cria movimento, dá vivacidade à construção. O edifício, sem este elemento, seria outro”, garante. Mágica criada com peça única, estampada de um quadrado preto na beirada do ladrilho, aplicada rodando sempre a peça em 90 graus.
Uma curiosidade: o azulejo usado por Oscar Niemeyer em todas as obras na Pampulha, unificando o conjunto, é replica de padrão existente na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. E pode ser encontrado em algumas residências no Centro de BH – como casa, com projeto de Niemeyer, no Bairro Santo Agostinho –, talvez, suspeita-se, vinda de sobras da obra da Pampulha
Uma curiosidade: o azulejo usado por Oscar Niemeyer em todas as obras na Pampulha, unificando o conjunto, é replica de padrão existente na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. E pode ser encontrado em algumas residências no Centro de BH – como casa, com projeto de Niemeyer, no Bairro Santo Agostinho –, talvez, suspeita-se, vinda de sobras da obra da Pampulha
O azulejo é material bem conhecido. Mas a arte feita com essa cerâmica esmaltada, tradição bem brasileira, ainda é pouco conhecida. Mesmo Belo Horizonte, que tem obra-prima reconhecida mundialmente: painel de Portinari para a Igreja de São Francisco, na Pampulha. Há mais, como o painel do Detran, dos anos 1950, hoje em situação precária, com rombo no meio da imagem. Pintura desconhecida é História da loteria, que só voltou à luz recentemente graças à ação dos bombeiros, que retiram madeirame que, durante anos, escondeu a pintura.
Painel da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, de autoria de Portinari, o mais celebrado exemplo da arte da azulejaria moderna brasileira
“Painel em azulejo é arte aplicada, que gera admiração. Como está fora do museu, fica sujeito a não ser percebido como arte”, explica o artista plástico Alexandre Mancini, que trabalha com azulejo de arte. Em um passeio guiado por Belo Horizonte, ele ajuda a conferir algumas preciosidades do acervo da cidade. “É arte gentil, que chama a leveza e a cordialidade. Nunca vi azulejaria agressiva”, afirma. Musico (é do The Folsons, que lança disco em breve), sugere a quem quiser repetir a rota uma trilha sonora no i-Pod: Zimbo Trio, Quarteto em Cy, Luiz Carlos Vinhas, Baden Powell, Oscar Castro Neves e todo o pessoal que faz samba-jazz.
O passeio começa com Alexandre Mancini chamando a atenção para duas residências, no Bairro Mangabeiras, que têm fachadas externas feitas de azulejos. Trabalhos, observa, provavelmente da virada dos anos 1970 para 1980, que muitas vezes passam despercebidos. O motivo da escolha: “São obras criativas, que se integram bem à arquitetura, dando leveza à construção. Que tira o peso de paredes de cimento, ásperas e frias, transformando-as em espaço para arte”. Estão nos painéis características da azulejaria moderna brasileira que não se repetem em outro lugar do mundo: composições abstratas, geométricas, com formas simples. O avesso da visualidade carregada do barroco”, observa.
exposição “ciranda” realizada na galeria mural do restaurante 2010 entre 28.09 e 02.11 de 2010.
fotos por elcio paraiso