Pelos caminhos do azulejo
Passeio por Belo Horizonte permite conhecer vários estilos e momentos de uma forma de arte que valoriza a dimensão pública. Niemeyer ensaiou em Minas estilo que levaria a Brasília
“O eixo histórico da azulejaria moderna brasileira, misturando arte, arquitetura e política, é Rio, Belo Horizonte e Brasília. Começou no Rio, foi experimentada em Belo Horizonte e se afirma no Distrito Federal”, explica o artista Alexandre Mancini. “Foi aqui que Portinari encontrou possibilidade de realizar obra de grande porte, que revela ligações com a prática do muralismo, então em voga, e a arte moderna”, observa. Mais: a parceria entre o artista Athos Bulcão e o arquiteto Oscar Niemeyer teria sido iniciada com convite para que o artista criasse painel para o Teatro Nacional de Belo Horizonte. “Obra que não saiu do papel, mas vai resultar em muitos projetos da dupla em Brasília”, observa Alexandre.
Um aspecto importante da obra de Oscar Niemeyer é a integração entre arte e arquitetura. “Ele sempre convida artistas a participarem da obra dele, como foi com Athos Bulcão (1918-2008), seu parceiro quando o assunto é azulejo”, conta. A dupla tem algumas obras em Belo Horizonte. A mais singular delas, para Alexandre, é motivo decorativo do Edifício Niemeyer, feito com ladrilhos hidráulicos. “É intervenção discreta, mas que cria movimento, dá vivacidade à construção. O edifício, sem este elemento, seria outro”, garante. Mágica criada com peça única, estampada de um quadrado preto na beirada do ladrilho, aplicada rodando sempre a peça em 90 graus.
Uma curiosidade: o azulejo usado por Oscar Niemeyer em todas as obras na Pampulha, unificando o conjunto, é replica de padrão existente na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. E pode ser encontrado em algumas residências no Centro de BH – como casa, com projeto de Niemeyer, no Bairro Santo Agostinho –, talvez, suspeita-se, vinda de sobras da obra da Pampulha
Uma curiosidade: o azulejo usado por Oscar Niemeyer em todas as obras na Pampulha, unificando o conjunto, é replica de padrão existente na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa, Rio de Janeiro. E pode ser encontrado em algumas residências no Centro de BH – como casa, com projeto de Niemeyer, no Bairro Santo Agostinho –, talvez, suspeita-se, vinda de sobras da obra da Pampulha