Arte da azulejaria faz história na capital
Mas obras que marcam a herança portuguesa estão em más condições de conservação
O azulejo é material bem conhecido. Mas a arte feita com essa cerâmica esmaltada, tradição bem brasileira, ainda é pouco conhecida. Mesmo Belo Horizonte, que tem obra-prima reconhecida mundialmente: painel de Portinari para a Igreja de São Francisco, na Pampulha. Há mais, como o painel do Detran, dos anos 1950, hoje em situação precária, com rombo no meio da imagem. Pintura desconhecida é História da loteria, que só voltou à luz recentemente graças à ação dos bombeiros, que retiram madeirame que, durante anos, escondeu a pintura.
Painel da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, de autoria de Portinari, o mais celebrado exemplo da arte da azulejaria moderna brasileira
“Painel em azulejo é arte aplicada, que gera admiração. Como está fora do museu, fica sujeito a não ser percebido como arte”, explica o artista plástico Alexandre Mancini, que trabalha com azulejo de arte. Em um passeio guiado por Belo Horizonte, ele ajuda a conferir algumas preciosidades do acervo da cidade. “É arte gentil, que chama a leveza e a cordialidade. Nunca vi azulejaria agressiva”, afirma. Musico (é do The Folsons, que lança disco em breve), sugere a quem quiser repetir a rota uma trilha sonora no i-Pod: Zimbo Trio, Quarteto em Cy, Luiz Carlos Vinhas, Baden Powell, Oscar Castro Neves e todo o pessoal que faz samba-jazz.
O passeio começa com Alexandre Mancini chamando a atenção para duas residências, no Bairro Mangabeiras, que têm fachadas externas feitas de azulejos. Trabalhos, observa, provavelmente da virada dos anos 1970 para 1980, que muitas vezes passam despercebidos. O motivo da escolha: “São obras criativas, que se integram bem à arquitetura, dando leveza à construção. Que tira o peso de paredes de cimento, ásperas e frias, transformando-as em espaço para arte”. Estão nos painéis características da azulejaria moderna brasileira que não se repetem em outro lugar do mundo: composições abstratas, geométricas, com formas simples. O avesso da visualidade carregada do barroco”, observa.